Não é tão simples quanto pensei.
Crescer tem sido doloroso, uma dor que se mistura com o ar da liberdade. E o
que fazer se ainda me sinto uma menina com responsabilidades de adultos? Como
lidar com essa vontade incessável de querer abraçar o mundo com as mãos e
correr atrás do desconhecido?
Crescer é como uma ponte, de um
lado você tem todas as lembras da tua infância e adolescência, as lembranças de
momentos tranquilos onde ser feliz era a obrigação, no entanto do outro lado da
ponte você pode ter a promessa de um futuro desconhecido, daquilo que ainda não
foi explorado, nem sentido.
Enquanto tudo acontece de forma
quase instantânea, apenas me vejo no meio dessa ponte e em muitos momentos
quando olho ao meu redor e vejo tudo o que acontece no mundo, tento me
enxergar, me achar, me conhecer. Essa auto descoberta acontece de forma lenta e
pacífica, procuro não ouvir o mundo, nem ver suas imagens muitas vezes cruéis
só paro e me faço algumas perguntas.
Quem sou? O que quero? Como vou
conseguir alcançar meus objetivos? Como me vejo diante de tanta gente? Como
faço pra tomar “posse” da minha autoridade? E principalmente, como faço para
exercê-la sem afetar aos demais? Como posso ajudar aos outros?...
Não posso negar que nessa minha
fase existem muitas perguntas e no momento poucas respostas, por isso procuro
encontrar meu equilíbrio, tento esquecer um pouco dessas lembranças que estão
do meu lado direito da ponte e tento me concentrar no meu lado esquerdo, aquele
lado onde possa ter a resposta pra tais perguntas, aquele lado onde posso
descobrir o desconhecido e explorar um futuro com novas lembranças. Apesar de
ter certo receio de atravessar essa ponte, vejo que em um momento da vida isso
ai acontecer, talvez seja isso que faz doer tanto, saber que mais cedo ou mais
tarde terei que deixar de lado aquela garota que a “dias atrás” colocava um cd
no volume máximo e dançava leve pela casa, silenciando o mundo com o seu
sorriso.

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